Torcedor Gremista

Sem cerimônia, Christian Grieffenhagen chega na sala de casa e avisa que é noite de jogo do Grêmio. Os pais, concentrados nas atrações da emissora alemã Deustsche Welle, entendem o recado e liberam o sofá e a televisão de 38 polegadas para o jovem sem contestação. Estudante de Direito e estagiário do Ministério Público, Christian é um gremista fervoroso. Sócio do clube, é figurinha carimbada nas arquibancadas do estádio Olímpico. E também no grandioso e felpudo sofá da sala, quando os jogos do tricolor são longe de seus domínios. Mas nos jogos de casa vibra como se estivesse em meio á torcida tricolor, tanto que na semifinal da Libertadores em 2007, ao fim da partida contra o Santos, teve violenta queda de pressão e quase desmaiou, tamanha a alucinação e tensão durante a partida.

Por todo esse gremismo, a compra dos pacotes de Pay-Per-View dos torneios que o Grêmio disputa é prioridade no orçamento do torcedor, que no ano passado foi até o Uruguai torcer pelo time do coração na Libertadores da América, em partida contra o Defensor. Mas para o jogo contra o Náutico, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro, Christian cumpre o ritual do sofá. Veste uma das 14 camisas do Grêmio que possui, empunha a bandeira tricolor e leva o radinho de pilha, para “ouvir as informações mais completas dadas pelo rádio”.

Durante a partida, mesmo sem a parceria tradicional dos companheiros de arquibancada, Christian entoa os cânticos da torcida gremista. De saudações apaixonadas à provocações ao tradicional adversário, o jovem grita, gesticula, xinga o árbitro e nos lances de perigo fica em pé, como se estivesse no estádio. Em jogo no Estádio dos Aflitos, onde o Grêmio em 2005 saiu do calvário da segunda divisão em um jogo épico e inacreditável, todo gremista é um saudosista. Dessa vez, o Grêmio não venceu com quatro jogos a menos, mas empatou a partida aos 49, com o goleiro Victor tentando cabecear dando uma de centroavante.

O suficiente para Christian comemorar com energia, gritando que o Grêmio é “Imortal”, “Épico”, “Guerreiro”, “Inacreditável”. Veias saltando pelo pescoço, a pele branca ficando avermelhada (mesmo que ele, como bom gremista, não admita) e palavrões em profusão ecoando pelo apartamento. Ao fim de mais uma batalha no confortável sofá branco da sala, o esbaforido e suado gremista define o gremismo: “Sou dependente do Grêmio. Preciso dele para viver.

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